Desnorteio em breves narrativas

Há um sobrepeso de satisfação ao fim da leitura de Dias de febre na cabeça, do pernambucano Nivaldo Tenório.

Primeiro, pela potência do livro que modula no leitor algumas de suas passagens por dias; segundo, por trazer a lume a presença de uma literatura vigorosa e germinal fora do eixo militado por gente que entende o mercado como um tabuleiro de dois estados.

São 14 contos povoados por personagens que partilham uma existência agressiva, tornando-se vítimas (ou reféns) de perturbações mentais ou físicas, anti-sonhadores, vozes bloqueadas por um nó na garganta que vai asfixiando até sobrar um fino de consciência onde transcorrem as histórias.

Tenório tem uma prosa seca e profundamente realista, compondo com habilidade um cenário infiltrado por nuances regionalistas sem que isso desnature as narrativas em seu caráter universal.

Bons exemplos são os contos ‘Chão movediço’, um rito de desamparo estruturado unicamente em movimentos e gestos tortuosos, e ‘Silvio’, algo excepcional que transita pelas veredas ficcionais de Antonio Carlos Viana, um dos principais contistas brasileiros em atividade.

No entanto, apontar preferências é um exercício vão diante de uma coletânea cuja força está na unidade, na soma dos conjuntos estético e narrativo.

***

Livro: Dias de febre na cabeça

Editora: Confraria do Vento

Avaliação: Bom

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