Memórias que se abrem em abismos

A imagem bucólica da capa, com um detalhe de apelo pueril, dá a medida do jogo de falsas impressões que é esta bela antologia.

Partindo de situações enroupadas pela normalidade, os 12 contos, sendo cinco deles previamente premiados em diferentes concursos, arrastam o leitor para um torvelinho de perdas e angústias, uma espécie de túnel sem saída onde o obumbramento do texto torna o cenário da mesma forma irreconhecível.

Tudo se degenera nessa estreia maiúscula do paulista Alexandre Nobre.

Em “A mangueira da nossa infância”, que abre e empresta nome ao livro, a intercalação de blocos de diálogos embaralha passado e presente, despertando revelações que dão margem à revelações maiores, distúrbios cuja tragicidade se sobrepõe à redenção.

Na mesma seara estão “Aila” e “Paulo Jorge”, tentativas inúteis de se remir de um passado doloroso. “Acampamento’ e “Na casa da minha avó” são descobertas do mal cotidiano, e ainda cabe uma homenagem abrasileirada a Edgar Allan Poe, em “A praia”.

Com uma prosa fina, que recorre por vez ao lirismo, Nobre não busca uma coesão de estilos, mas um espírito criativo que dá liga às suas narrativas.

***

Livro: A mangueira da nossa infância

Editora: Ficções

Avaliação: Bom

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