Andanças poéticas pelo Amazonas

Monumento poético da primeira fase do modernismo brasileiro, Cobra Norato, do gaúcho Raul Bopp, ganha uma cuidadosa reedição, com ilustrações inéditas de Ciro Fernandes, índice de publicações e breve entrevista com o autor.

Escrita em 1928, a obra reconta a lenda da índia que engravida da Cobra Grande, ao se banhar na confluência entre os rios Amazonas e Trombetas, dando à luz a duas crianças, entre as quais o menino Norato. A versão de Bopp coloca a filha da rainha Luzia, interesse amoroso de Cobra Norato, no centro da trama, que se estrutura num ciclo exaustivo de provas que esta precisa enfrentar.

O poema, desse modo, evolve num cenário constituído pela fauna, pela flora e pela geografia local, bebendo dos costumes e do folclore para encontrar frases de um maravilhamento imagético, a exemplo de: “A sombra vai comendo devagarzinho os horizontes inchados”.

Bopp compôs Cobra Norato após uma longa estada na Amazônia, num exercício de restituir, em versos, as impressões recolhidas durante suas andanças na região. Conseguiu um dos mais significativos poemas da língua portuguesa, na qual a potência do mito se adere à estética literária.

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Livro: Cobra Norato

Editora: José Olympio

Avaliação: Excelente

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