Escrever é deixar uma prova

Em O princípio de ver histórias em todo lugar, o carioca Leonardo Villa-Forte estabelece um pacto entre o apego obsessivo e a construção literária.

A estreia no romance do autor carioca tem início com o narrador, um redator publicitário, despedindo-se da namorada que vai passar três meses em Munique a trabalho. A separação gera nele uma combustão de emoções e suposições nocivas, entre as quais a de que Cecília irá traí-lo com um ex-namorado que reside na cidade alemã.

Seus dias seguem, assim, transtornados, até que decide montar uma oficina de criação literária a fim de se “aproximar de pessoas que não enxerguem no desequilíbrio uma falta de caráter, ou na flutuação de humor um traço suspeito”. Seis pessoas se habilitam para as sessões que serão aplicadas semanalmente em seu apartamento, nas quais farão leituras de contos e desenvolverão os próprios textos.

A partir de então, o autor recheia a trama principal com algumas dessas pequenas narrativas produzidas pelos alunos. Contos que refletem as personalidades de cada um que, enturmadas, resultarão em interesses amorosos e desacordos. A tensão aumenta quando uma das participantes desaparece.

Villa-Forte oferece um jogo de intertextualidade no qual a suspeição do que é narrado resulta num final inesperado e intrigante. Um livro que dialoga com O túnel, do argentino Ernesto Sabato.

***

Livro: O princípio de ver histórias em todo lugar

Editora: Oito e Meio

Avaliação: Bom

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