Relato que parte de uma despedida

A difícil tarefa de lidar com o embate desleal entre afeto e finitude é o que motiva A mãe eterna, da escritora e psicanalista Betty Milan.

Partindo do subtítulo “Morrer é um direito”, a obra é um relato delicado e franco dos últimos dias em que a autora paulista conviveu com a mãe, de 98 anos, cujo desmoronamento físico propõe uma reflexão sobre o poder de interferir no curso natural da vida.

Milan recorre a cenas cotidianas para repercutir uma condição em que a filha é obrigada a cumprir o papel de “ser a mãe da mãe”. A dependência, a imposição sobre as teimosias e, sobretudo, a consciência de que, contra a tristeza da perda iminente, impõe-se um amor que transcende a matéria.

Um livro que, desde o começo, direciona-se a uma despedida, mas que, nesse difícil trajeto, examina as relações humanas e familiares, a herança que cabe unicamente às memórias. Em suma, uma maneira de dialogar com o luto e extrair, dessa experiência, aprendizado.

***

Livro: A mãe eterna

Editora: Record

Avaliação: Bom

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s